Sucesso a longo prazo no Poker Online com estratégias vencedoras – inscreve-te já grátis!

As melhores estratégias Com a estratégia correta, o poker torna-se numa brincadeira. Os nossos autores mostram passo a passo como funciona.

As cabeças mais espertas Aprende em conjunto com os mais bem sucedidos jogadores de poker nos treinos ao vivo e no fórum.

Dinheiro de Poker Grátis A PokerStrategy.com é completamente gratuita. Para além disso espera-te dinheiro de poker grátis.

Já és membro da PokerStrategy.com? Faz o login aqui

EstratégiaNo-Limit BSS

Crushing NL50 (4) - Jogo específico dos adversários

» COLUNA

Crushing NL50 (4) - Jogo específico dos adversários

por Hasenbraten

Já aprendeste muita coisa nesta série de artigos. Melhoraste o teu jogo pré-flop full ring ao desviares-te da tabela de mãos iniciais. Estudaste as bases teóricas gerais do jogo pós-flop e já fizeste a transição para o jogo short handed.

No último artigo recebeste a primeira ajuda para fazer a transição para o jogo short handed: a tabela de raises de abertura. Com base nesse sólido fundamento, o foco central das últimas partes desta série vai estar virado para a exploração das fraquezas dos adversários.

Isto vai adicionar o toque final ao teu jogo. Quando utilizado correctamente, vai-te ajudar não só a bater o teu limite, mas como também a tornares-te num adversário desagradável até mesmo para os bons jogadores.

Há uma coisa que precisa de ficar clara: estamos a falar de conceitos avançados. Como tal, é impossível jogar de acordo com as linhas de orientação simples que podes encontrar nos livros básicos de poker. Deves considerar este artigo como um manual de treino que foi criado para ajudar a melhorar o teu jogo.

Explorar

Esta palavra ainda não tinha surgido até agora, mas se pensarmos num nível mais avançado, ela define muitas linhas de jogo. O que é que significa explorar num contexto de poker?

Explorar descreve a exploração metódica das fraquezas no jogo do teu adversário. Com base em determinados padrões no seu comportamento, pretendes encontrar situações exploráveis. Estás à procura de uma acção particular ou de uma série de acções no jogo do teu adversário que te permitam extrair lucros com base nos erros do teu adversário.

Um jogador perfeito não é explorável. Perante qualquer tipo de situação ele ou tem mãos de qualquer categoria ou pelo menos tem a noção dessa possibilidade (o que lhe permitia fazer hero calls). Na prática, nenhum jogador é perfeito. Como tal, qualquer adversário é susceptível de ser explorado. Tens apenas que procurar afincadamente pelos seus erros.

Quanto melhor for o teu adversário, menor será o número de erros que conseguirás encontrar. Eles também se tornam mais difíceis de identificar. Essa é a base teórica da exploração dos adversários. Se não compreendes este conceito ou o interpretas de maneira errada, ele será completamente inútil. Por isso, vamos agora dar uma vista de olhos a alguns exemplos que te ajudam a compreender melhor todos estes conceitos. Que linhas é que são exploráveis?

Em primeiro lugar, precisas de informações exactas para colocar o teu adversário num determinado leque de mãos. Em segundo lugar, isso tem que resultar numa determinada acção da tua parte que seja bastante rentável contra o leque de mãos do teu adversário. Vamos olhar para o exemplo que se segue:

Exemplo 1

100BB Stacks

Preflop: 6 folds, CO raises 4BB, BU calls 4BB, 2 folds

Flop: 3, 9, T Pot 9.5BB
CO bets 6BB

Uma continuation bet óbvia. A maioria dos jogadores faz esta aposta. A questão que se coloca é saber se é explorável ou não. A resposta é: depende. Muitas vezes é explorável. Um pequeno cálculo para demonstrar isso mesmo: assume que o CO é mais ou menos tight-agressivo e não conhece o botão. O seu leque de mãos pré-flop é muito provável que seja algo deste tipo:

22+,A6s+,KTs+,Q9s+,J9s+,T9s,98s,87s,76s,65s,54s,ATo+,KTo+,QTo+,J9o+,T9o,98o,87o

Isto é cerca de 25% de todas as mãos e 334 combinações de mãos. Contra um raise do BU, é provável que o CO jogue com top pair+ e straight draws fortes (T9 – AT, JJ+, 33, 99, TT, QJ). Isso deixa-nos com 4*6 (pares) + 4*12 (top pairs) + 6 (2 pares) + 9 (sets) +16 (draws), o que equivale a 103 combinações possíveis.

Agora precisamos de determinar o leque de mãos do CO para as continuation bets. Para o leque de mãos do CO com o qual continuará na mão, este é o factor que vai determinar se podes explorar ou não a continuation bet.

Assume que o BU faz raise de 18BB. Ele está a investir 18BB para ganhar 15.5BB. De acordo com a fórmula EV, para que o bluff seja rentável, ele precisa de um fold em aproximadamente 54% dos casos. O CO continuará a jogar com 103/334 = 30% do seu leque de mãos pré-flop.

Se ele apostar com mais de 68% do seu leque de mãos, o CO pode fazer um raise 100% rentável, independentemente da mão que possa ter. É importante referir que o leque de mãos com o qual o CO continuará a jogar contra um raise é bastante loose. Frequentemente este leque de mãos será mais tight.

O leque de mãos com o qual o CO faz raise no pré-flop é bastante tight e frequentemente será mais loose. Se o CO decidisse fazer raise de abertura em 30% dos casos e depois no flop não jogasse todas as combinações de QJ, mas apenas com TPTK+, o resultado seria o seguinte:

CO joga cerca de 400 combinações pré-flop. Contra um raise ele pode jogar 12x AT, 6x T9, 8x QJ, 9x sets, 4x6 overpairs = 59 combinações, o que equivale a 59/400 = 15% do seu leque de mãos. Isto resultaria numa frequência de continuation bets de apenas 33%. No primeiro exemplo o seu leque de mãos não é assim tão forte. Alguns adversários podem apostar em 100% dos casos, o que os torna exploráveis. Contudo, no segundo exemplo é muito mais óbvio.

A situação não é perfeita, mas uma frequência de 75%+ não é nenhuma excepção, apesar de qualquer coisa acima dos 33% ser imediatamente explorável. Quais são as consequências para nós? Vamos dar uma vista de olhos ao seguinte:

Antes de alterares o teu comportamento em relação às continuation bets, pensa em primeiro lugar se o teu adversário é capaz de pensar assim tanto à frente.

Em quase todos os casos a resposta é não e tu não precisas de modificar a tua forma de jogar. Contudo, se a resposta for afirmativa, tens um problema pela frente. Podes reagir de várias maneiras diferentes. Por um lado, podes efectuar apostas com menos frequência e jogar simplesmente com check/fold ou check/call.

Por outro, deves optar menos frequentemente pela aposta/fold e, em vez disso, fazer aposta/call ou aposta/3-bet. Isso significa fazer fold de menos pares e fazer re-raise de draws mais frequentemente. Isso vai aumentar a variância, mas de um ponto de vista teórico é a única forma de não cometer um erro, a menos que queiras desistir de todos os potes.

Se fores o BU, tens que perguntar a ti próprio se o teu adversário percebe aquilo que está a acontecer. Se a resposta for "sim", não deves ir para cima dele. Se a resposta for "não", podes optar muitas vezes pelo bluff, desde que o adversário não comece a ajustar o seu jogo. Esta metodologia também pode ser revertida. Contra adversários bastante agressivos, existem situações em que o CO pode de uma forma rentável fazer push com quaisquer duas contra um raise do BU, porque ele tenta demasiadas vezes fazer bluff.

Apesar de nem toda a gente ter percebido à primeira, este exemplo foi bastante simples. É assim que funciona a exploração dos adversários. Em certa situações, uma linha em particular é rentável contra um determinado padrão. Precisas de saber identificar e explorar essas situações, enquanto que tentas ao mesmo tempo evitá-las no teu jogo.

Outro exemplo que deve ser mencionado é o check/raise no flop. Este é particularmente interessante em relação ao leque de mãos polarizado. Alguns jogadores nunca fazem bluff check/raise, enquanto que outros o fazem demasiadas vezes. Se qualquer um deles for o caso, podes facilmente jogar contra. Donk bets e a reacção a elas podem abrir novas possibilidades a explorar.

Fazer raise a donk bets no flop devia ser uma linha normal para a maioria dos jogadores. Sabes que as donk bets na maioria das vezes são fracas, por isso deves fazer raise contra elas mesmo que não tenhas nada. Os jogadores no flop podem muitas das vezes ser explorados com estes raises.

Especialmente em boards secas onde estes bluff raises são mais comuns, surge um argumento bastante contraditório. Queres tentar o bluff, por isso optas por fazer um raise. Ao mesmo tempo não queres afastar o adversário da mão quando tens uma mão forte do tipo top pair+ ou fazer apenas call numa situação de muito à frente/muito atrás (WA/WB).

O que é que isso te diz em relação ao leque de mãos com o qual este jogador fará raise no flop? Correcto, muitas das vezes é um bluff. Isso frequentemente leva a situações em que se pode utilizar uma aposta/3-bet com mãos que à primeira vista parecem demasiado fracas. Contudo, muito raramente recebes call e se tiveres sucesso podes arrecadar muito dinheiro morto.

Ideais similares aplicam-se aos multi-barrels ou raises no turn. Cabe-te a ti pensar nestas ideias.

Como é que te podes explorar a ti mesmo?

Quando estás a explorar um adversário, um bom começo é perguntar a ti mesmo que linhas é que utilizas e que podem ser exploradas pelos outros.

Muitos dos melhores jogadores no teu limite jogam de uma forma similar à tua e têm também um nível similar de conhecimento do jogo. Ao perguntares a ti mesmo como é que jogarias de forma perfeita contra ti, consegues alcançar duas coisas:

  • Vais aprender a perceber onde é que os bons adversários costumam explorar-te e assim evitas essas situações ou pelo menos tens mais noção delas.
  • Vais poder utilizar activamente esta informação contra muitos adversários no teu limite e ter assim uma vantagem sobre eles.

Polarização do leque de mãos, balancear

O termo "leque de mãos polarizado" serve muitas vezes para descrever um leque de mãos que ou é composto por bluffs ou por mãos muito fortes. Polarização alude a um dipolo electrónico onde existem dois extremos opostos um ao outro. Com este conhecimento, muitas linhas podem ser refinadas e compreendidas.

Neste artigo, o termo "leque de mãos polarizado" vai ser utilizado mais livremente. Isso será ilustrado da seguinte forma: imagina que o leque de mãos do teu adversário consiste em mãos possíveis, divididas em diferentes categorias. Se todas as categorias, como por exemplo bluffs, monstros, semi-bluffs, mãos marginais, etc., estão uniformemente representadas dentro do leque de mãos, então este pode ser intitulado como um leque de mãos completamente despolarizado (sem um ponto focal) ou balanceado.

Assim que começas a remover certas categorias do leque de mãos, dependendo da sua probabilidade, o leque fica desequilibrado e começa a ficar polarizado. Um caso extremo é a forma "original" de um leque de mãos polarizado que contém um óbvio desequilíbrio. Neste contexto, o caso mais extremo é um leque de mãos que está polarizado em relação a uma única categoria de mãos, por isso representa o maior desequilíbrio possível. Isso pode ser resumido de uma forma concisa e rápida.

  • Um leque de mãos polarizado é um leque de mãos com certas partes em falta.
  • Balancear descreve o balanceamento entre as diferentes partes do leque de mãos.

Se um leque de mãos estiver balanceado, ele não está polarizado. Mais uma vez lembro que estes são termos bastante teóricos. Para melhorar a tua compreensão, vamos dar uma vista de olhos a alguns exemplos que incluem leques de mãos polarizados. O ponto que costuma ser mais frequentemente falado é a origem do termo. Um leque de mãos é dividido entre uma parte muito forte (valor) e uma parte muito fraca (bluff). No leque de mãos não existem draws ou mãos com força média.

Exemplo 2

100BB Stacks
MP (TAG)
SB (TAG fraco)

Preflop: MP Raises 4BB, SB calls 3.5BB

Flop: 2, 7, Q Pot 9.5BB
SB checks, MP bets 6BB, SB raises 18BB

Rápida leitura da mão: um TAG no pré-flop tem quase sempre pares de mão. Ocasionalmente pode ter AQ, KQ, QJ ou 78, 67, e todos eles conseguiram acertar no flop. É pouco provável que um TAG fraco pense em fazer check-raise ~AQ pois iria polarizar o seu leque de mãos da seguinte forma:

Ele ou tem um set e quer ir all-in, ou não tem um set ou um top pair forte e não que ir all-in.

Se o MP quiser explorar a situação, ele precisa de avaliar a frequência de bluffs da SB. Se for de praticamente zero, ele pode fazer um bom fold. Fazer imediatamente muck de AA será difícil, mas especialmente as mãos do tipo Qx devem rapidamente ir parar ao centro da mesa.

Se a frequência de bluffs for bastante elevada, podias considerar um re-bluff com TP+, além dos calldowns. Isto deve ser particularmente considerado se o leque de mãos para bluff da SB derrotar a mão do MP.

Isso podia assumir a forma de uma 3-bet no flop (o que também polariza o leque, mas será que a SB reagirá contra ela?) ou um "bluff call" ao check-raise com a intenção de roubar o pote mais tarde. Neste caso é necessário ter um conhecimento exacto da estratégia para bluff da SB (será que ele aposta no turn ou será que vai desistir?).

Outra forma de polarizar é a falta de draws no leque de mãos de uma mão depois de acções particulares por parte de um adversário. Isto requer um conhecimento íntimo do adversário. Contudo, existem jogadores que nunca fazem check-raise dos seus draws. Isso significa que não tens que proteger contra eles mesmo quando existe a possibilidade de draws, o que te permite por exemplo jogar uma situação muito à frente/muito atrás. A possibilidade da ausência completa de monstros no leque de mãos de um jogador deixam-no completamente à mercê de bluffs.

Exemplo 3

100BB Stacks
UTG (TAG)
BB (TAG)

Preflop: UTG raises 4BB, BB calls 3BB

Flop: 8, T, 5 Pot 8.5BB
BB checks, UTG bets 6BB, BB calls 6BB

O que é que esperas da BB, e o que é que não esperas? Sets ou dois pares. Esses seriam quase sempre jogados fora de posição, o que deixa mãos (muito) mais fracas. De vez em quando vais ver diferentes flush draws ou straight draws ou mãos médias. Os monstros estão em falta.

Turn: 2 Pot 20.5BB
BB checks, UTG bets 15BB, BB calls 15BB

O turn falha os draws. A BB terá quase sempre top pair ou um draw ou uma combinação de ambos.

River: K
BB checks Pot 50.5BB

Independentemente da mão do UTG, a questão que se coloca é saber se a BB é capaz de fazer call a uma aposta no river.

Só se ele for capaz de fazer um hero call. Com excepção de um possível KT, ele terá na melhor das hipóteses mãos do tipo T9-AT. Isto não será derrotado por nada com o qual o UTG aposte por valor. Ele terá que ver o bluff frequentemente por parte do UTG para ser capaz de fazer o call. Nem todos os jogadores conseguem pensar assim tão à frente. Nesta situação, o UTG pode fazer uma aposta que é 100% rentável graças à falta de monstros no leque de mãos da BB.

Se ele tiver KK, é óbvio que a aposta é mais rentável do que se fosse com AJs. Muitas vezes será +EV com qualquer uma destas mãos. Outra forma possível de polarização seria "apenas com monstros". Isso seria possível depois de montes de acção no pré-flop por parte de um adversário muito tight e com grandes stacks. Se tiveres uma boa razão para eliminar AK, podes jogar a tua mão de uma forma perfeita. Podes optar por um fold tight ou ver o flop para um suckout por valor.

O Balanceamento é crucial para o teu jogo. Isso não significa que tens que estar sempre a curvar-te em todas as situações para garantir que o teu leque de mãos não fica polarizado. Contudo, existem dois factores que são muito importantes: O teu adversário percebe que o teu leque de mãos está polarizado e será ele capaz de o explorar?

Se a resposta for "não", não tens que prestar qualquer atenção a ele. Se a resposta for "sim", mesmo assim não significa que leques de mãos polarizados não são permitidos. Apenas significa que tens que ter noção deles, e caso tenhas dúvidas, tens que reagir a eles, por exemplo com hero calls.

» Sumário

Ter em conta os leques de mãos polarizados é uma boa introdução aos conceitos de exploração, bem como às linhas mais complexas como um todo.

Por um lado, melhoras a tua capacidade de leitura de mãos. Por outro, ganhas uma vantagem em relação a outros bons jogadores. Estes conceitos são particularmente importantes não apenas para ganhar dinheiro aos peixinhos, mas como também para ganhar dinheiro aos adversários que também tentam ganhar utilizando uma abordagem estratégica.

Basicamente, estes conceitos servem para construir os conceitos de "planear a tua mão" juntamente com "leitura de mãos". Foi explicado que deves colocar o teu adversário num determinado leque de mãos, avaliar como é que ele reagirá com partes individuais desse leque e escolher as tuas acções por forma a que consigas alcançar o melhor resultado possível.

Este simples requisito, o qual é apenas uma formulação do princípio da maximização EV, leva a conceitos ainda mais complexos e avançados. Tens apenas que dedicar algum tempo e esforço ao seu estudo.

No próximo artigo vais aprender sobre semibluffs e indução ao erro numa forma mais prática. Vais também aprender como jogar contra determinados tipos de adversários. As atenções vão estar centradas na exploração das linhas utilizadas por esses adversários.

 

Comentários (2)

#1 jandsonpower, 04.01.11 18:27

Ótimo artigo, excelente. Vai me ajudar muito no move up para nl50.

#2 Brubaker1982, 16.08.12 18:51

Marcando como lido...