Sucesso a longo prazo no Poker Online com estratégias vencedoras – inscreve-te já grátis!

As melhores estratégias Com a estratégia correta, o poker torna-se numa brincadeira. Os nossos autores mostram passo a passo como funciona.

As cabeças mais espertas Aprende em conjunto com os mais bem sucedidos jogadores de poker nos treinos ao vivo e no fórum.

Dinheiro de Poker Grátis A PokerStrategy.com é completamente gratuita. Para além disso espera-te dinheiro de poker grátis.

Já és membro da PokerStrategy.com? Faz o login aqui

EstratégiaMindset & Psicologia

Downswing - uma análise psicológica

A mudança espontânea para um downswing


Muitas pessoas questionam-se sobre o que está a correr mal durante um downswing. Algumas criam um tópico no fórum de discussão. Há dois tipos de tópicos:

1. Eu estou a fazer tudo bem mas estes estúpidos fishes Americanos dão-me bad beats atrás de bad beats.

2. Ajudem-me, estou a chegar ao limite, morto, praticamente morto, quase morto, morto e enterrado, já fomos, o pior jogador; algo deste género.

Na minha opinião, os que dizem “Eu sou o melhor e só me estou a queixar” são os piores. É cansativo tentar dar-lhes dicas, pois ouvirás com frequência “ah, já estou positivo depois de umas mãos de 5k, por isso está tudo bem!”. Para além do mais, acho que o encorajamento, como dizer que esta mão ou aquela não são significativas, ou dizer “cabeça levantada” ou “vai melhorar”, não é útil por si só. Retira a concentração do jogador no presente. A evolução.

O segundo tipo de jogador está tão enervado que já não faz a mínima ideia “a quantas anda”. O desespero está logo no seu cabeçalho. Nenhuma dica vai ser realmente útil. Ele também não está muito bem. A sua concentração também desapareceu.

Vamos, contudo, repor a concentração e ver o que acontece (pode acontecer) com um downswing:

A armadilha da aprendizagem de um downswing


Um downswing coloca-te numa situação psicológica muito difícil. Estás, sob muitas formas, inseguro. Já não tens o controlo soberano sobre ti próprio para pores em prática as tuas capacidades. O sentimento bom de divertimento e auto-validação desapareceu. Quando jogo e perco, tenho que ser muito experiente e conhecedor para ajuizar se joguei bem ou não. O resultado é negativo. Do nada surge no nosso consciente a ideia de que o jogo também foi negativo (e, na minha opinião, talvez até sub-conscientemente).


O que é que acontece realmente?

Pensamentos e associações negativas têm influência sobre o que vem depois. Em situações similares vais muitas vezes buscar esses mesmos pensamentos e sentimentos. Esses pensamentos ganham natureza cognitiva. A longo prazo, isto leva a falhas. Mudas o teu jogo para contra-balançar. Um seguimento plausível de acontecimentos: fazes alguma coisa que te rebenta nas mãos. Depois vês-te numa situação similar… bem, não te está a apetecer que rebente outra vez.

Exemplo: já não sobes com um determinado tipo de mãos para tornar o projeto do teu adversário mais caro porque pensas: de qualquer maneira, não vão foldar com a minha subida e vão concluir o projeto no river ou na turn na mesma, por isso mais vale poupar esta aposta.

Um efeito de aprendizagem que advém da experiência. No entanto, é contrário ao conhecimento teórico. Mas: a experiência tem raízes mais fundas. Aplicamos com mais frequência o que já pusemos em prática antes do que aquilo que “simplesmente” sabemos.

Formulamos hipóteses sobre as nossas derrotas, incluindo ilações irracionais sobre o nosso próprio estilo de jogo, o fator sorte, o adversário, etc.

Um exemplo:

“Sempre que tenho um par de ases de mão, os meus adversários fazem sempre dois pares, trios, sequências ou cores no river.”

“Nem vale a pena jogar pares de damas de mão; um rei ou um ás vai acabar por aparecer no flop.”

“Ao fish vai bater um dos dois outs mas eu nunca faço completo a minha cor.”

“O meu jogo é muito fraco.”

“A minha WTS é muito alta.”



Os últimos dois exemplos são irritantes. Parecem ser ilações muito plausíveis sobre o teu tipo de jogo. Provavelmente esse jogador postou as suas estatísticas e um jogador experiente disse-lhe que a sua WTS estava muito alta ou a AF muito baixa, etc.

Isso pode ser verdade, mas não ajuda durante a fase de downswing. O jogador agarra-se a estes fantasmas porque a situação parece muito complexa e confusa. Pensar nas suas estatísticas “más”, nos seus pontos fracos, leva o jogador a formar assunções negativas e a diminuir as suas capacidades. Bloqueiam o seu jogo e ele entra em tilt.


Um ponto de vista racional

Vamos fazer uma definição racional de um downswing: um downswing é um acumular fortuito de acontecimentos ou coisas que se desviam consideravelmente do seu valor expectável, traduzindo-se em resultados negativos durante um período de tempo indefinido. Um ponto fraco desta definição é o valor expectável, visto que ser desconhecido. Esse valor é alterado pela infiltração de outros fatores, que aumentam a variação e podem alterar o valor expectável.

Não podes parar um downswing. Não podemos influenciar os fatores que causam um downswing, mas o inverso já não é verdade. Efeitos que pairam sobre nós como os acima descritos são aumentados, e diminuem ainda mais o nosso valor expectável. Temos de trabalhar nisso.


O que posso fazer?

Estamos sob pressão psicológica durante um downswing. O nosso comportamento no jogo muda como muda também o comportamento da nossa aprendizagem. Temos uma certa emoção que nos leva a fazer mudanças. Queremos corrigir a nossa trajetória. Mas se só aumento a minha aprendizagem nesta situação, tenho dois problemas. Primeiro, não estou a jogar no máximo do meu potencial. Segundo, a motivação para continuar a trabalhar sobre mim mesmo durante o próximo upswing vai diminuir. Por esta razão, devemos enfrentar esta situação com um plano.


O modelo em três fases para um downswing

Da nossa análise até agora, dividi o encarar de um downswing em três fases. Todas as dicas para cada fase podem, é claro, ser aplicadas independentemente umas das outras e é recomendável fazê-lo fora de um downswing. A divisão em fases ajuda a mantermo-nos em controlo durante um downswing por nos dar uma estrutura quando, de outro modo, sentirás que te tiraram o chão de baixo dos pés.

Na primeira fase de um downswing vale a pena concentrarmos-nos em evitar pensamentos ou comportamentos que poderão impactar negativamente na tua psique. Questões como “Como é que posso notar se sou um mau jogador?” são sinais de aviso. A depressão que isto denota tem de ser intercetada antes que cresça.

Algumas regras para isto:

- - Nunca termines uma sessão com o pensamento “É melhor parar antes que piore.” É melhor jogar em sessões organizadas e parar quando o tempo termina. Se estiver a correr muito bem continuas, é claro.
- Parar com qualquer tipo de pensamento que seja negativamente dirigido a ti ou ao teu jogo com um parar de pensar activo. Esta é uma técnica de psicoterapia em que usas o comando “pára” sempre que esse tipo de pensamentos surge, quebrando dessa forma o pensamento. Coloca esses pensamentos de lado por serem irracionais e contraproducentes. (Isto também é bom para acessos de raiva em bad beats. Pára a raiva e coloca-a de lado. Ela não te irá ajudar, só prejudicar.)
- Se não conseguires parar os pensamentos negativos, termina a sessão.
- Se estiveres tenso, nervoso ou deprimido, termina a sessão
- Não procures auto-validação por ganhares uma mão isolada.
- Não te compares ao sucesso de outros jogadores que, por exemplo, chegam a um limite mais rapidamente do que tu. .
- Não te pressiones com objetivos a curto prazo (jogar para bónus, mudanças de limite mais rápidas, etc.). Se te correr mal nesta situação, deves reconsiderar com cuidado se jogar para bónus nessas circunstâncias ainda é +EV.
- Obedece às regras de gestão de banca
- Joga simplesmente de acordo com o máximo do teu conhecimento nas melhores condições possíveis e não mudes o teu estilo de jogo.


Se o downswing continuar, vais entrar na segunda fase. Aqui só interessa as coisas correrem bem para ti! Esquece a tua percentagem de ganhos, o estado da tua banca, as tuas perdas até aí, as tuas fugas…


Faz uma pausa do poker!

É altamente recomendada uma pausa. Interrompe aprendizagens erradas e a consolidação de assunções negativas estáveis. Deves perceber bem a tua situação e procurar relaxar. Tensões acumuladas têm de ser libertadas (stress). Faz desporto, sai para dar uma volta no campo, andar de bicicleta, o que te apetecer.

Deixa o PokerTracker desligado, não olhes para as tuas estatísticas.

Reforça-te. Na fóruns sobre problemas da PokerStrategy.com, podes ler sobre outros que estão a passar pelo mesmo. Não penses no que possivelmente estás a fazer mal, nesta fase não é importante! Os leaks e erros de jogo vão continuar a estar lá no próximo upswing, não fazem uma diferença assim tão grande.

Nesta fase só interessa que te voltes a sentir bem.

Por esta razão não é recomendado trabalhar sobre as tuas fraquezas e erros. Análise concreta de erros e a definição de metas de aprendizagem juntamente com o planeamento do treino deve ser reconhecido como necessário, mas deve ser protelado até podermos trabalhar sobre isso duma forma mais eficaz.

Aprender o jogo que é o poker requer boa capacidade de abstração; o jogo é teórico e projeta-se a longo prazo. Certifica-te que sabes que aprender poker é dá trabalho. Se queres ser um bom jogador, então estás no caminho certo. Estabelece metas para ti próprio e faz um plano que possas atingir. Tens de trabalhar sobre como é que vais aprender poker. Se te sentires livre e capaz, podes começar.

Uma nota importante para quando estiveres a jogar bem outra vez: nunca vás para a mesa a pensar “Vamos ver se ainda estou num downswing” ou “agora tenho de recuperar as perdas”. Ou da próxima vez que tiveres uma bad beat não penses “merda(!), outra vez.”

Nesse caso, volta para a primeira fase, independentemente de quão chato possa ser. Tens de o ultrapassar.

Desejo-te o maior sucesso!
Shark Attack!
 

Comentários (21)

#1 SauloFRoes, 02.09.08 20:17

Very cool!!

#2 Royalif, 30.05.09 16:59

adorei este artigo!<br /> abraço e continuação de um bom trabalho

#3 fcosbarros, 25.07.09 01:57

Muito bom, valeu.

#4 777verde, 20.09.09 00:36

obrigado pelo vosso empenho

#5 valtergalvao, 26.09.09 01:00

Muito bom :D

#6 MancaMulas, 18.01.10 17:43

obrigado por este artigo!

#7 pporsche, 19.01.10 10:06

Sempre às ordens! ;)<br /> <br /> Abraço,<br /> Paulo "pporsche" Moreira

#8 AJAbitbol, 08.04.10 11:12

Este insight deveria ser o epilogo de todos os livros de Poker.<br /> Valeu

#9 Lagean01, 24.06.10 21:45

Gosto muito dos artigos de psicologia e sempre volto aqui pra ler novamente, hoje vi algo que me chamou a atenção que é acelerar o jogo de para chegar em bonus, esta é uma armadilha terrivel e temos que tomar cuidado.

#10 CALLIBAN, 10.08.10 11:57

<br /> Numa palavra: OBRIGADO!

#11 BOKKKA888, 27.08.10 17:29

IABADABADU MUITO BOM

#12 RealSupreme, 09.09.10 19:53

excelente artigo! como já é habitual vindo da PokerStrategy :)

#13 mourahey, 29.11.10 21:49

mto bom :D

#14 pporsche, 22.01.11 13:32

#All<br /> Obrigado a todos pelo feedback.<br /> Usem também o fórum para colocar questões.<br /> <br /> Abraço,<br /> Paulo "pporsche" Moreira

#15 Lenildo, 11.03.11 01:45

não penses “merda(!), outra vez.”!

#16 fxbase, 15.08.11 20:36

Muito bom

#17 pretoowna, 15.09.11 21:03

bem isso aconteçe ate com uma frequencia boa comigo os downswing!!!<br /> como eu nao preciso do poker para viver<br /> eu simplismente paro 1 semana ou 2 nao vejo nada sobre poker ate msm para nao estimular a jogar...<br /> nessa semana que estiver afastado manter a mente limpa nao se estressar muinto no trabalho e principalmente transar bastante... se tem mulher ótimo se nao tem vai a luta concerteza teu jogo de poker melhora depois de 1 semana de folga!!

#18 JuniorJls, 22.02.12 05:42

é isso ai.

#19 kinhodod, 29.01.13 15:12

Parabéns pelo artigo.<br /> Eu estava precisando dar uma lida nisso!

#20 claudineioc, 21.10.13 10:45

A folga é o ponto chave, afinal quando eu termino uma sessão minha cabeça fica fervendo e quando essa sessão é perdedora nem se fala

#21 AcaccioSEP, 20.07.14 02:41

Muito bom artigo, descreve bem o que estou sentindo e fazendo.